CubeSat, Uma corrida popular.
Já são 12:30 da manhã; lá fora, o sol impetuoso de Fortaleza castiga a cabeça dos estudantes que vão ao restaurante universitário. “Quem quer ir almoçar agora? A gente come rápido e volta para terminar os Drivers”, brada um desenvolvedor de Firmware. Corredor, escadas, saída. A comida desce mais rápido quando se está motivado. Meia hora se passou e, entre brincadeiras e seriedades, já estamos discutindo os prazos, os bugs, as soluções.
Assim é um dia comum para os alunos e engenheiros que trabalham no Projeto SACODE (Satélite para Análise e Coleta de Dados Experimentais) ,na UFC, em parceria com o INPE, do qual tive a honra de participar. Mais parece uma corrida contra o relógio, afinal, realmente estamos em uma corrida.
Podemos não perceber, mas a realidade é que estamos vivendo uma nova corrida espacial. Desde a missão Apollo-17 (1972) os órgãos governamentais tinham o monopólio da indústria aeroespacial, fazendo com que o conhecimento para desenvolver nesse domínio fosse escaço.
Porém, esse cenário mudou de tal forma que os lançamentos comerciais são uma realidade muito próxima.
Com o avanço da micro eletrônica e da computação, tornou-se possível o desenvolvimento aeroespacial a baixos custo e tempo. Empresas privadas como SPACEX, ISIS, VIRGIN GALACTIC, entre outras, já atuam fortemente em órbita. Ainda parece muito longe da sua realidade? Apresentar-lhe-ei um amigo: o Cubesat.
Quando falamos em construir satélites, já pensamos em um laboratório muito grande onde uma equipe de cientistas constroem um artefato tão grande quanto um ônibus, mas que tal se “montarmos” um satélite no seu quarto, em três anos, por menos que a metade do custo que você imaginou?

O Cubesat é um modelo de nanossatélite padronizado onde cada unidade (U) mínima tem o tamanho de um cubo de 10cm³.O modelo surgiu em 1999 em uma parceria entre Stanford e CalPoli para desenvolverem um padrão que permitisse, aos estudantes universitários, acesso às tecnologias aeroespaciais
O tempo de produção de um satélite tradicional era muito grande, logo o tempo de uma graduação não era suficiente para terminar o desenvolvimento e a pesquisa.
A padronização dos subsistemas bem como das medidas, permitiram uma facilidade na produção. A padronização das interfaces de comunicações reduziu a complexidade do desenvolvimento. Hoje diversas universidades produzem pesquisas e inovações com Cubesats.
O Brasil também entrou nessa corrida. Projetos como o Ubatuba-SAT, onde alunos de ensino médio desenvolveram um Cubesat, em 3 anos, que foi lançado ao espaço na sede do Inpe, mostram o quão acessível está a tecnologia aeroespacial.

Há diversos grupos e projetos nas academias brasileiras que produzem inovação e conhecimento nessa área. Tive a honra de trabalhar no projeto SACODE da Universidade Federal do Ceará, no LESC, onde foi desenvolvido um computador de Bordo para uso comercial (Open-OBC) para Cubesats, e onde uma equipe indômita trabalha para contribuir com o desenvolvimento aeroespacial brasileiro.
Escrevi este breve artigo para mostrar-lhes que estamos em uma corrida que se passa no escuro e vai em direção ao “escuro”, pois achamos que é tudo ficção científica ou está muito longe do nosso alcance. No desenvolvimento aeroespacial é necessário uma gama de conhecimentos, então todos podemos ajudar de alguma forma.

Obrigado!